Instantes da existência, filosofias carnais. Cabeça a mil, vazia e cheia, de negro luminoso, raça pura e força no sangue. O ser puro duro, crú e nú. Sem máscaras.
sábado, 16 de maio de 2009
Além de Nós..
Continua serena, aluada, enquanto os seus olhos cor de mel brilham.
Eu, observo. Mirone perdido.
A rapariga sentiu o calor da sua perna, recostada junto do seu joelho. Acordou do seu sonho, e com ar de sábio,
perguntou-lhe:
- Já alguma vez pensaste no quanto desejaste voltar atrás, vezes sem fim, cometeste os mesmo erros, vezes sem fim.. mas não consegues desenvencilhar-te
desse emaranhar de cordas?
Fixou-a. Por momentos, o brilho do seu olhar fe-lo pensar que seria alguém especial. Até que reflectiu, olhando-a, e respondeu-lhe, em tom meigo e doce:
- Já desejei percorrer o mundo sem nada que me prenda. Já desejei ser livre, viver.. mas cometi sempre o mesmo erro, vezes sem fim, e agora revejo-me
perdido neste jardim, sem saber para onde me levar.. a olhar-te. Como se fosses um anjo. - A sua voz estremeceu, como que por vergonha. - Desisti, por
momentos, de mim. Não lutei, não quis saber, pensando que assim seria mais feliz.. O maior erro da minha vida. Quando acordei finalmente para a vida, vejo-me
aqui, contigo. Continuo perdido mas uma força renasceu em mim.
A rapariga, boquiaberta, fintava-o com o olhar. Não soube perceber se ele lhe lera a mente, se seriam almas gémeas ou simplesmente, um sonho.
- Com as poucas palavras que me disseste, senti-te, como nunca senti ninguém. A tua alma envolve a minha, num sonho que me leva a crer que sou capaz, do
que quiser e do que estiver para além disso. Basta pensar que alguém me aceitará de volta, tendo errado ou triunfado.
Silêncio gritante saiu da sua boca, nada conseguia dizer, aquela rapariga de olhos cor de mel.
Olhou-a e com um sorriso, fez nascer uma lágrima, verdadeira, genúina, dos olhos de mel, agora ainda mais brilhates. Brilhante de emoção, felicidade, algo sem
explicação.
- Obrigada por teres feito viver, sentir e ver o que há muito desejei. Um rio calmo, estável e que mesmo com obstáculos, me irá levar à Vida, à minha Alma.
Ele abraçou-a, secando-lhe a lágrima que corria pelo seu rosto perfeito no céu dos Deuses.
Eu, senti-os, enquanto navegava pelo mar da minha vida.
por:sara
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
we will rise up against them all.

vida
A vida, pensas sobre o que vês, sobre o que sentes,
De que te vale isso? Prática, fazes?
Terceiras realidades que te permitem chegar a todo o teu mundo,
A tua alma possessa e voadora.
O rancor de quem te magoa, esmagas, superioridade?
És tu que a tens, à tua maneira.
O feitiço, mágico, mesmo que pareça contra ti,
Mais tarde, voltará para te mostrar o quão especial
A tua mente é.
Terceiras realidades que dizem ser prejudiciais à saúde. Cliché.
O teu dia-a-dia, mata-te. Não vives, apenas, existes.
Faz-te herói num mundo de obedientes, defende aquilo em que crês.
Serás herói, nem que seja, na tua anarquia pessoal.
Deixa-os viverem na medíocre vida da obediência. De facto, gostava eu de saber, porque raio
Se deixam afectar por quem é igual mas a quem submetem toda a sua vida?
Eu? Quero viver.
Terceiras realidades, voo nelas.
Vocês? Busquem o tal de quinto império que nem sabem o que é.
Eu? Cultivarei a minha alma de voos e essências que me elevam e me fazem suportar a vida que tenho de viver nesta sociedade, aqui neste mundo.
Queres saber? Tenho o meu mundo. Onde tu, não entras.
Não entendes.
Demasiado simples e total para ti.
Palavras inúteis estas que digo.
Enfim. Vou viver. Volto mais tarde.
por: sara
Vôo, solitário,
Numa laranja nuvem.
Cor minha, sítio eterno,
Labirinto onde só eu me perco.
Onde ninguém entra.
Teias que não se desfazem,
Que sejam possíveis de descobrir.
Que sabes tu de teias enlaçadas,
Carregadas de rabiscos,
Traços apagados pelo tempo,
Que se mantém pela dor.
É isto que mantenho,
O meu mundo,
Onde nem tu, nem ninguém tem
Poder.

O som que escorre pelas paredes,
Profundo que nos deixa flutuar
Por entre os remoinhos do fumo de um cigarro
Que arde nos lábios gretados,
Pelas palavras dolorosas da vida.
Deixo-me cair num leito,
Elevo-me numa realidade ilusória
E perco-me.
Sei que um olhar me encontrará.
Alma gelada, corpo imóvel;
Abandonarei as estalactites do meu ser
Percorrendo caminhos enlameados
Perdidos numa floresta, verde,
Onde apenas uma companhia
Platónica me fará encontrar rumo.
por: sara
O seu sorriso, cativou-o. O olhar ingénuo e tentador de sábio que se esconde na pele, na máscara de criança frágil.
Soube que ali, encontrara jóia rara.
Chegou-se mais, para junto dela, e perguntou em tom meigo se podia partilhar a magia daquele lugar consigo. O sorriso brilhante, apareceu. Gesticulando afirmou que o partilharia, seduzindo-o num olhar profundo que o enrolou em desejo súbito.
Uma pequena conversa surgiu. Banal, é facto.
A aproximação surgiu, tal como uma cinzenta nuvem que os fez crer que chuva forte iria nascer, que teriam de procurar abrigo.
Ouviu a sua voz com a atenção com que ouviu, em criança, o búzio que o seu pai lhe trouxera de uma das suas velhas viagens marítimas.
por: sara
Sujo, pesado, negro.
A tua falta absorve o que deixa viver o mundo
Exageradamente, olho.
As cores que delimitam o teu corpo,
Deixam-me fraca, frágil;
Vejo o contraste da cor do olhar
Com a cor da dor, do ardor,
Que não me deixa sobrevoar
Contigo. Deliciar.
Porque não me amas?
não me sentes?
Porque não somos um voo, plano, estável
Vivo e colorido.
A nossa maneira.
Quero contigo sentir
O assobiar do vento
Por entre os raios do sol,
Recordar passado
Como velha chávena poeirenta
Com pequenas falhas num velho armário.
por: sara
sábado, 31 de janeiro de 2009
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
alaranjado e amarelado.
cor de cólera, cor de dor.
cor de quem quer embarcar num comboio só de ida.
afinal é disso que se trata,
de uma viagem unilateral; unissona, sem saída.
voltas e voltas num caís abandonado;
no meio da multidão, encharcada em odores infernais;
sem rumo, sem rota.
por: sara
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
sábado, 15 de novembro de 2008
é o que sou não o que querem que seja.
que sensação duradoura e perfeita,a da minha própria companhia, no meio
este húmido e rasgado papel, amachucado,
e agora deixo-me sentada, neste silêncio
a madeira da porta lascada,
os saltos dos sapatos de uma mulher, lentos,
na minha solidão alegre,
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Escuro
Solidão, aqui, tal como um inútil transeunte,
numa imensa metrópole.
Quero voltar onde vivi;
Quero voltar com quem sorri;
Quero libertar do meu corpo,
este Diabo que me corrói a alma,
não sei, não entendo.
Apenas desejo uma maré calma,
límpida.
Alguém me salve e me leve consigo;
numa rede de pescador, suave e velha.
Para uma praia de Luz, de abrigo.
Para uma praia, deixando-me lá;
com quem me salvou.
Não existe, não sei como alcançar;
nesta maré que se vê balançar.
Alguém me salve. Eu mesma.
Alguém oiça, o meu pedido de salvamento.
por: sara
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
aqui na orla da praia
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
onde apenas uma miragem
subitamente me vislumbra.
O que é?
Ficará por desvendar.
Vejo-a, sinto-a, na minha alma e sei !
A minha alma não o revelará.
Sei ! Aquela sombra partilha
esta minha modesta.. e inútil sabedoria, comigo.
Da inútil ilusão da alma das almas.
Almas sombrias. Sós. Talvez.
Acompanha-me no ser, na dor de pensar,
no que somos. Ou não somos.
por: sara
fotografia por: sara
terça-feira, 21 de outubro de 2008
sábado, 11 de outubro de 2008
quem sabe.
A solidão que me apavora, magoa
como o frio cortante da neve
de uma solitária montanha.
O rio que corre aligeira
a sensação dando-me, talvez,
força para continuar.
A luz do pequeno candeeiro a óleo
ilumina esta pequena cabana,
onde estou. Sozinha.
Rodeada de um cheiro intenso,
ao mesmo tempo, suave para a minha alma.
Forte. Perturbador.
Este cheiro que me faz evadir, ouvindo, apenas e
sabendo.. O que me espera lá fora.
Não sinto. Não cheiro. Não oiço.
Liberta-te, deixa-te voar.
Deixa-me voar contigo. Apenas nós,
a sobrevoar um mundo, nosso.
Não existe. Mera utopia.
Talvez no meu coração, duvido.
O teu olhar que me deixa,
a tremer, por dentro, quieta;
Como um campo onde apenas existem varas, verdes.
Sentir-me-ei frágil? Forte, capaz de me levar
pela mais suave brisa.
Sopra neste campo. Amadurece esta planície verde, vivo;
este brilho apagado que deixa, apenas, ver uma distorcida essência.
Quem sabe.
barreiras.
profundos olhos castanhos
deixa-me sentir o toque da tua pele contra a minha
deixa-me sonhar. realiza os meus sonhos.
se me tens? não sei, apenas digo que a minha alma, poderás descobrir.
onde o silêncio cheira a solidão
e as luzes acesas não iluminam a escuridão
a tua sombra, pouco delineada,
dá-me um pouco de ti. quero.
como barcos à deriva. deixa-me mergulhar.
gritos perdidos num eco profundo.
gestos abandonados pelo medo,
desafiados pela coragem.
que me faz ver mais além da linha do horizonte
deixa-me saber-te, deixa-me sentir o teu ardor.
como.. eu não sei. simplesmente fizeste
com que uma ardente vontade
de atravessar barreiras invisiveis
despertasse em mim.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
profundezas.
que me recheia de incertezas
e me deixa no fundo.
Incertezas abruptas
reflectidas em sombras astutas.
Ninguém sabe o que é amar.
Ninguém além do velho pescador,
que amou, do fundo que amou
aquele ser do seu mar.
Oh.. Que faremos nós aqui?
Naufragados numa praia deserta.
Eu, quero ser o meu porto de abrigo,
no meio de tantos desancorados.
por: sara
fotografia por: sara

