sábado, 15 de novembro de 2008

é o que sou não o que querem que seja.

é o que sou não o que querem que seja.
o frio da água encharca-me os pés,
mergulhados inconscientemente naquela poça do Largo do Chiado;
que me enche de alento.

que sensação duradoura e perfeita,a da minha própria companhia, no meio
da cidade afogada;
recheada de quem não conheço;
de quem me olha e lhe repugna a minha roupa molhada e
o meu cabelo a pingar.
esse alguém, não sabe a cascata de satisfação onde agora, mergulho.

este húmido e rasgado papel, amachucado,
onde escrevo, sentada nuns degraus de madeira,
que rangem;
à entrada de um velho prédio,
de onde vejo, uma cidade, uma pressa, lá fora.
aqui, estou bem.

e agora deixo-me sentada, neste silêncio
perturbado pela movimentada vida lá de fora,
neste silêncio perfeito, de bem estar, de mim.

a madeira da porta lascada,
o desgaste da vida.
ouço vozes desconhecidas, passos acelerados,
como numa tentativa de fugir à chuva que cai do céu cinzento.

os saltos dos sapatos de uma mulher, lentos,
como se não tivessem onde ir ou, para onde ir;
uma alma cheia de tudo, ou de nada.
desconheço. admiro.

na minha solidão alegre,
olho com outro olhar, a solidão deste prédio,
velho, triste;
abandonado,
que me aconchega na sua humildade.
por: sara

Sem comentários: