o que sou eu? que faço num mundo em que cada pessoa que passa, me olha, como se fosse apenas mais um. mais um ser, que existe por existir. não quero ser esse ser. quero ser alguém.
o que me faz a melancolia boémia da vida.. ensina-me a sentir cada momento, como uma nuvem, que apesar de passageira, me preenche, me deixa recheada de uma euforia saudável, de algo que sinto, apenas com a minha alma, como se estivesse completamente liberta deste corpo julgado pelo mundo, solta para puder voar por entre mundos de fantasia e mundos repletos.. de quê? de algo que não consigo explicar, apenas algo que me permito deixar sentir.
porquê? porquê esta vontade enlouquecedora de desaparecer? de simplesmente, deixar tudo para trás e ter um pouco de paz. de deixar de pensar nas deformidades do que existe à minha volta e simplesmente, conseguir ser feliz. com a simplicidade de cada coisa, em si.
ah, tu.. tu que me acompanhas e que não sei quem és. que num momento, me enches de alento, no outro, me deixas à beira da loucura. loucura descontrolada, loucura que me ensurdece o coração e que me cega a alma.
ah, como gostaria de ser uma pequena gota de orvalho, quieta, repousada numa folha verde cheia de vida.. onde simplesmente, me deixaria ir, observando os vôos de cada pássaro, as cores das frágeis asas de uma borboleta, saboreando a textura do alento, a textura do ar, a textura do que queria sentir.
o que faço eu aqui? a transbordar de ideias e pensamentos, sem sequer saber se estes valerão a pena, se valerá a pena lutar pelo que quer que seja neste mundo. este mundo, que a cada dia que passa, se torna mais sombrio, mais frio e mais distante para mim. distante daquilo que idealizo na minha pequena alma, na minha pequena luz. um mundo que não existe e que tão pouco um dia poderá existir.
contudo, se aqui estou, talvez isso tenha algum significado. talvez tenha de aprender a ser uma gota de orvalho repleta de vida, mas uma vida melancolica e um espírito brilhante que me fará viver, viver mesmo que seja nesta escuridão de mundo.
um dia, um dia talvez perceba o que estive a fazer, aqui.
por: sara
fotografia por: andreia gonçalves ( Largo do Carmo )
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