sábado, 17 de abril de 2010

o meu corpo descai,
sinto-me só. invisivel no mundo.
tudo mudou.
e torno-me impotente perante algo
que nem eu percebo.
como sinto saudades do gáudio de tempos passados.
tudo vai.
tudo vem.
as vezes volta, outras vezes, desaparece, para sempre.
é isto a que se chama, cair no poço?
valerá então a pena, ser como o comum,
que simplesmente existe;
feliz com o seu ignóbil quotidiano.

por mim, fugia. de mochila às costas partiria, vivendo em todo o sitio,
percorrendo o mundo;
vivendo,
venturosamente ou casualmente,
isso, faria-me feliz.
por agora, rebaixo-me a vida oportuna do homem,
a evoluir para o cúmulo do errante.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

2670!

" 2670 é di mais, zambujal, infantado,
conexão com o nha rapaz,
continuamos sempre em frente,
pra mostrar a toda a gente do que Loures é capaz.

2670 Loures, periferia,
a saga continua enquanto nasce um novo dia,
rts, zambujal, la mafia, infantado;
pra todo o fanq inteiro q'agora julga ser pesado.
só te dou um conselho, vai com deus e tem cuidado,
não sigas o caminho desses putos do bairro,
é um poço de amizade já há muito criado,
agora ponho a mão no fogo e nunca saio queimado.
pra todo o falso, ooh, que quer ser encarado,
nunca esqueço os meus capangas esteja mocotibado.
a mentira é traiçoeira e tu vais ser filado,
por erros cometidos entre amigos no passado.
estou mais que orgulhoso por não ser como tu,
e rebaixares os outros para seres o numero 1,
não me interessa d'onde vens,
ou que merda fazes,
2670, outlow, meu rapaz,
agora a cena mudou,
Loures já não é como dantes,
uns querem ser morangos, outros dão pra traficantes;
negócios ilegais, nine milas e tirantes, bussiness obscuros,
putas, drogas, diamantes.
putos querem ser soldado mas não chegam a aspirantes,
caiem pelo caminho, vão para um lugar distante,
por isso eu, conservo a amizade,
infantado e zambujal, são relatos da verdade.

(..)

sejam la quais forem os caminhos que tomamos,
criticados pelo que pensamos, por aquilo que sonhamos,
acreditamos, e vamos sempre acreditar,
é a nossa fé que nos faz continuar.
a lutar neste mundo de baroes, cabroes que nao pensam nas suas acções,
reflecte, e tira conclusoes,
efectua, as tuas proprias decisoes.
um dia apos o outro vai vivendo a tua vida, seja de forma honesta ou pura vida bandida,
tens que te orientar, conhecer, conquistar,
luta pela vida que ela vai-te compensar. (..) "


o meu lar, yeah :p

segunda-feira, 12 de abril de 2010

bish(inh)os


afinal.. quem és tu? que estás do outro lado de um telefone. inutil modernização. quero olhar-te nos olhos. a tua doce voz, reanima o meu interior. confude-me. satisfaz-me. serei eu capaz de algum dia apagar as tuas pegadas? nunca. mas nunca digas nunca, costumam dizer. verás-me viver. com saudade mas eu, estou sempre presente. irás recordar um mundo azul provindo de uma alucinação mágica e eterna. um elo.

senti-te desde o primeiro instante.
o teu olhar intenso lê cada bocadinho meu,
a tua mente segue-me em sintonia.
os nossos corpos,
entrelaçados, perfeito encaixe.
o teu cheiro, o meu habitat.
entreguei-te tudo, o meu coração.

domingo, 21 de março de 2010

" Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali? "
fernando pessoa
vivo na minha imensidão,
com um vazio por preencher.
perdida do rumo a tomar,
enlouqueço.
o que é medo? algo que me prende, que me leva a loucura.
porque nao poderei eu, ser como sempre fui?
tornaste amargurado, só e sem razão.
e tudo, porque a entrega é total e o amor, sem fim.

terça-feira, 16 de março de 2010

apelo!

tenho um apelo para vocês. (se existir algum vocês, claro.)
pois bem, agora que, oficialmente, trabalho num call center, peço-vos. dêm uma oportunidade à pessoa que tá do outro lado. isto é, não é preciso levar muito a sério, e se quiserem desligar, eu compreendo, mas.. dizer que "fala o pénis do Diogo, posso mete-lo?" hm não.
é desagradável para quem tá do outro lado porque não vos pode responder à altura, visto que está a trabalhar e estes ditos cujos a coçarem as micoses.

vivam os senhores que aceitam a minha oferenda!

sábado, 13 de março de 2010

eu questiono-me porque é que ainda há gente assim (:



Uma mensagem com um teor um pouco diferente.
um tom de revolta, da minha parte.
há poucos dias, entrei numa formação para trabalhar num call center. e, a campanha para onde supostamente iriamos trabalhar seria para uma empresa e vender um plano. riight. ate aqui tudo certo.
até que, esse plano tratava-se de algo que beneficiaria quem tem carências monetárias e qualquer tipo de doença crónica ou invalidez. mas afinal, NAO! e porquê? porque essas pessoas, que PRECISAM, não podem ter um plano destes pois seria muito DISPENDIOSO para a empresa esse tipo de pessoas aderirem ao plano.
e porquê? porque a quantia de dinheiro que receberiam caso tivessem algum problema e necessitassem de ser internados, ia ser muito maior visto estas pessoas terem mais probabilidade de ter qualquer questão relacionada com a sua situação.
afinal, somos ou não todos iguais?
estou errada?

vejam:

(http://www.pcd.pt/apd/dedipede.php - declaração de direitos das pessoas com deficiência)

sábado, 16 de maio de 2009

Além de Nós..

Chegou. Sentou-se ao lado da rapariga, distraída, que nem o sentiu ao seu lado.
Continua serena, aluada, enquanto os seus olhos cor de mel brilham.

Eu, observo. Mirone perdido.
A rapariga sentiu o calor da sua perna, recostada junto do seu joelho. Acordou do seu sonho, e com ar de sábio,
perguntou-lhe:
- Já alguma vez pensaste no quanto desejaste voltar atrás, vezes sem fim, cometeste os mesmo erros, vezes sem fim.. mas não consegues desenvencilhar-te
desse emaranhar de cordas?
Fixou-a. Por momentos, o brilho do seu olhar fe-lo pensar que seria alguém especial. Até que reflectiu, olhando-a, e respondeu-lhe, em tom meigo e doce:
- Já desejei percorrer o mundo sem nada que me prenda. Já desejei ser livre, viver.. mas cometi sempre o mesmo erro, vezes sem fim, e agora revejo-me
perdido neste jardim, sem saber para onde me levar.. a olhar-te. Como se fosses um anjo. - A sua voz estremeceu, como que por vergonha. - Desisti, por
momentos, de mim. Não lutei, não quis saber, pensando que assim seria mais feliz.. O maior erro da minha vida. Quando acordei finalmente para a vida, vejo-me
aqui, contigo. Continuo perdido mas uma força renasceu em mim.
A rapariga, boquiaberta, fintava-o com o olhar. Não soube perceber se ele lhe lera a mente, se seriam almas gémeas ou simplesmente, um sonho.
- Com as poucas palavras que me disseste, senti-te, como nunca senti ninguém. A tua alma envolve a minha, num sonho que me leva a crer que sou capaz, do
que quiser e do que estiver para além disso. Basta pensar que alguém me aceitará de volta, tendo errado ou triunfado.
Silêncio gritante saiu da sua boca, nada conseguia dizer, aquela rapariga de olhos cor de mel.
Olhou-a e com um sorriso, fez nascer uma lágrima, verdadeira, genúina, dos olhos de mel, agora ainda mais brilhates. Brilhante de emoção, felicidade, algo sem
explicação.
- Obrigada por teres feito viver, sentir e ver o que há muito desejei. Um rio calmo, estável e que mesmo com obstáculos, me irá levar à Vida, à minha Alma.
Ele abraçou-a, secando-lhe a lágrima que corria pelo seu rosto perfeito no céu dos Deuses.
Eu, senti-os, enquanto navegava pelo mar da minha vida.


por:sara

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

we will rise up against them all.


vida

A vida, pensas sobre o que vês, sobre o que sentes,
De que te vale isso? Prática, fazes?
Terceiras realidades que te permitem chegar a todo o teu mundo,
A tua alma possessa e voadora.
O rancor de quem te magoa, esmagas, superioridade?
És tu que a tens, à tua maneira.
O feitiço, mágico, mesmo que pareça contra ti,
Mais tarde, voltará para te mostrar o quão especial
A tua mente é.
Terceiras realidades que dizem ser prejudiciais à saúde. Cliché.
O teu dia-a-dia, mata-te. Não vives, apenas, existes.
Faz-te herói num mundo de obedientes, defende aquilo em que crês.
Serás herói, nem que seja, na tua anarquia pessoal.
Deixa-os viverem na medíocre vida da obediência. De facto, gostava eu de saber, porque raio
Se deixam afectar por quem é igual mas a quem submetem toda a sua vida?
Eu? Quero viver.
Terceiras realidades, voo nelas.
Vocês? Busquem o tal de quinto império que nem sabem o que é.
Eu? Cultivarei a minha alma de voos e essências que me elevam e me fazem suportar a vida que tenho de viver nesta sociedade, aqui neste mundo.
Queres saber? Tenho o meu mundo. Onde tu, não entras.
Não entendes.
Demasiado simples e total para ti.
Palavras inúteis estas que digo.
Enfim. Vou viver. Volto mais tarde.


por: sara


Vôo, solitário,

Numa laranja nuvem.

Cor minha, sítio eterno,

Labirinto onde só eu me perco.

Onde ninguém entra.

Teias que não se desfazem,

Que sejam possíveis de descobrir.

Que sabes tu de teias enlaçadas,

Carregadas de rabiscos,

Traços apagados pelo tempo,

Que se mantém pela dor.

É isto que mantenho,

O meu mundo,

Onde nem tu, nem ninguém tem

Poder.

por: sara


O som que escorre pelas paredes,

Profundo que nos deixa flutuar

Por entre os remoinhos do fumo de um cigarro

Que arde nos lábios gretados,

Pelas palavras dolorosas da vida.

Deixo-me cair num leito,

Elevo-me numa realidade ilusória

E perco-me.

Sei que um olhar me encontrará.

Alma gelada, corpo imóvel;

Abandonarei as estalactites do meu ser

Percorrendo caminhos enlameados

Perdidos numa floresta, verde,

Onde apenas uma companhia
Platónica me fará encontrar rumo.


por: sara

Encontrou-a naquele local secreto, só, onde o sol reflectia no virgem lago esquecido.
O seu sorriso, cativou-o. O olhar ingénuo e tentador de sábio que se esconde na pele, na máscara de criança frágil.
Soube que ali, encontrara jóia rara.
Chegou-se mais, para junto dela, e perguntou em tom meigo se podia partilhar a magia daquele lugar consigo. O sorriso brilhante, apareceu. Gesticulando afirmou que o partilharia, seduzindo-o num olhar profundo que o enrolou em desejo súbito.
Uma pequena conversa surgiu. Banal, é facto.
A aproximação surgiu, tal como uma cinzenta nuvem que os fez crer que chuva forte iria nascer, que teriam de procurar abrigo.
Ouviu a sua voz com a atenção com que ouviu, em criança, o búzio que o seu pai lhe trouxera de uma das suas velhas viagens marítimas.

por: sara
Desenho-te no ar,
Sujo, pesado, negro.
A tua falta absorve o que deixa viver o mundo
Exageradamente, olho.
As cores que delimitam o teu corpo,
Deixam-me fraca, frágil;
Vejo o contraste da cor do olhar
Com a cor da dor, do ardor,
Que não me deixa sobrevoar
Contigo. Deliciar.
Porque não me amas?
não me sentes?
Porque não somos um voo, plano, estável
Vivo e colorido.
A nossa maneira.
Quero contigo sentir
O assobiar do vento
Por entre os raios do sol,
Recordar passado
Como velha chávena poeirenta
Com pequenas falhas num velho armário
.

por: sara

sábado, 31 de janeiro de 2009


Pequenas gotas caiem no lago, solitário.
Dois mundos deixam-se flutuar,
Pela água límpida, onde naufragam gotas de chuva,
Recriando círculos por onde navego,
Sentido a minha alma fluir,
Saborear o vento que esfria os corpos,
Observando o azul do céu,
Num olhar, só.


por: sara

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

vagueio na cidade de tom triste;
alaranjado e amarelado.
cor de cólera, cor de dor.

cor de quem quer embarcar num comboio só de ida.
afinal é disso que se trata,
de uma viagem unilateral; unissona, sem saída.

voltas e voltas num caís abandonado;
no meio da multidão, encharcada em odores infernais;
sem rumo, sem rota.

por: sara

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E aqui, fico rodeada de perguntas interruptas, espero por resposta mas esta tarda a chegar.
Não chega, sequer.
Perguntar-me-ei, será que sou, será que sinto? Será que o que te digo é sentido?
Será que não passa de uma realidade consistente ou de uma mentira inconsciente?
Leva-me para o teu sítio, sei que a pureza que existe, aqui, existe.
Disso, tenho a certeza. O resto, não sei.
Leva-me a corrente que os meus braços, esses ficaram sem força.
Mas a minha mente;
Essa terá força para lutar.
Por quê?
Ficará por escrever e, quando a necessidade me pedir,voltarei para aqui, e silenciosamente, gritar para que me venhas socorrer.
Gritos em palavras não ditas, escritas, traduzidas para um olhar meigo, brilhante e sufocante.
por: sara
fotografia por: sara (Praga)

sábado, 15 de novembro de 2008

é o que sou não o que querem que seja.

é o que sou não o que querem que seja.
o frio da água encharca-me os pés,
mergulhados inconscientemente naquela poça do Largo do Chiado;
que me enche de alento.

que sensação duradoura e perfeita,a da minha própria companhia, no meio
da cidade afogada;
recheada de quem não conheço;
de quem me olha e lhe repugna a minha roupa molhada e
o meu cabelo a pingar.
esse alguém, não sabe a cascata de satisfação onde agora, mergulho.

este húmido e rasgado papel, amachucado,
onde escrevo, sentada nuns degraus de madeira,
que rangem;
à entrada de um velho prédio,
de onde vejo, uma cidade, uma pressa, lá fora.
aqui, estou bem.

e agora deixo-me sentada, neste silêncio
perturbado pela movimentada vida lá de fora,
neste silêncio perfeito, de bem estar, de mim.

a madeira da porta lascada,
o desgaste da vida.
ouço vozes desconhecidas, passos acelerados,
como numa tentativa de fugir à chuva que cai do céu cinzento.

os saltos dos sapatos de uma mulher, lentos,
como se não tivessem onde ir ou, para onde ir;
uma alma cheia de tudo, ou de nada.
desconheço. admiro.

na minha solidão alegre,
olho com outro olhar, a solidão deste prédio,
velho, triste;
abandonado,
que me aconchega na sua humildade.
por: sara

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Escuro

Escuro, repelente, este ambiente;
Solidão, aqui, tal como um inútil transeunte,
numa imensa metrópole.
Quero voltar onde vivi;
Quero voltar com quem sorri;
Quero libertar do meu corpo,
este Diabo que me corrói a alma,
não sei, não entendo.
Apenas desejo uma maré calma,
límpida.
Alguém me salve e me leve consigo;
numa rede de pescador, suave e velha.
Para uma praia de Luz, de abrigo.
Para uma praia, deixando-me lá;
com quem me salvou.
Não existe, não sei como alcançar;
nesta maré que se vê balançar.
Alguém me salve. Eu mesma.
Alguém oiça, o meu pedido de salvamento.

por: sara

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

aqui na orla da praia

Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar,
Sem nada já que me atraia, nem nada que desejar,
Farei um sonho, terei meu dia, fecharei a vida,
E nunca terei agonia, pois dormirei de seguida.
A vida é como uma sombra que passa por sobre um rio
Ou como um passo na alfombra de um quarto que jaz vazio;
O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é;
A glória concede e nega; não tem verdades a fé.
Por isso na orla morena da praia calada e só,
Tenho a alma feita pequena, livre de mágoa e de dó;
Sonho sem quase já ser, perco sem nunca ter tido,
E comecei a morrer muito antes de ter vivido.
Dêem-me, onde aqui jazo, só uma brisa que passe,
Não quero nada do acaso, senão a brisa na face;
Dêem-me um vago amor de quanto nunca terei,
Não quero gozo nem dor, não quero vida nem lei.
Só, no silêncio cercado pelo som brusco do mar,
Quero dormir sossegado, sem nada que desejar,
Quero dormir na distância de um ser que nunca foi seu,
Tocado do ar sem fragrância da brisa de qualquer céu.

Fernando Pessoa