quinta-feira, 17 de julho de 2008

brisas


Triste é, olhar para trás e ver que tanto deixamos por fazer. Tantas foram as oportunidades perdidas, as batalhas vencidas, as lutas naugrafagadas.
Mas, e todos os momentos que não viveste? Todos os momentos que deixaste para trás, por cobardia, por medo, por tantos sentimentos que simplesmente te deixaram impotente perante o viver.
Chega o momento de pensar. Porque havemos de deixar de viver aquilo, que mesmo sendo momentâneo, nos está a dar um desejo veemente de cometer uma loucura? Sim, pode ser uma loucura mas será uma oportunidade única de viver aquele momento. Nunca um momento se repetirá.
O sítio pode ser o mesmo, até. A companhia, também. Mas passará mais uma nuvem, virá mais um raio de sol, mais uma brisa leve que mudará tudo, o momento, o estado de espírito. Pode influenciar a nossa alma.. De estar sorridente ou penosa.
Solta-te, permite o teu ser a viver cada momento.
Liberta-te e percorre essa estrada infindável que te pode proporcionar momentos inesquecíveis.
Afasta-te desse lugar que te dá segurança, como se fosse o único porto seguro da tua vida. Esse que te pode aprisionar e impedir-te de descobrir tantas coisas novas e diferentes.
Assim, deixa-te explorar todos os cantinhos magistrais que o mundo te oferece. Descobre-os.
Agarra o vento que permite que o teu barco navegue, agarra as oportunidades que te permitem viver.
por: sara
fotografia por: sara ( Marvão )

terça-feira, 15 de julho de 2008

sono

E naquela noite, depois de se deitar, pensou que talvez a sua vida tivesse mais sentido do que aquilo que pensara até hoje.
Uma força interior invadiu-a, fazendo-a sentir capaz de enfrentar toda a complexidade da vida.
Parou. Pensou.
Porque temos de passar por momentos tão duros, para crescermos? Porque não podemos apenas, crescer?
No momento a seguir, a sua alma respondeu-lhe.
É através da vivência de momentos difíceis que aprendemos, que 'abrimos os olhos', que vamos descobrindo um pouco mais de quem somos nós.
Tudo é uma incerteza. Mas, enquanto VIVEMOS vamos percebendo, que tudo o que vem, vem por algum motivo que nos é desconhecido. No momento, parece-nos tão injusto e doloroso mas, passado um tempo, olhamos para trás e pensamos " valeu a pena " e recordamos, tudo o que foi bom, e tudo o que foi mau e doloroso mas que ainda assim, nos tornou maiores. Maiores de espírito.
Um sorriso e uma lágrima que se afunda na face rosada e quente, do cocktail de sensações que sentia, vindas das recordações que navegam, agora, no mar imenso que é a nossa alma.
E assim, deixou cair o seu corpo adormecido nos suaves lençois brancos que ainda lhe permitiram sentir o cheiro da nostalgia.

por: sara

oh tu..

oh tu, que apareceste, sem aviso, ensinando-me a questionar todas as crenças que tive até hoje.
tu, que entraste na minha vida e me mostraste caminhos que nunca tinha descoberto.
tu, que voaste, subitamente, sem deixar rasto. tu, que voaste para perto de mim, para dentro de mim. que compreendes toda a minha vida, que procuras entender todas as minhas ideias.
tu, que permances em mim. na minha alma. como luz incadescente, que és.
os teus passos, a tua voz, que numa noite escura e estranha, cobrem de alento, a minha alma. tu, que fazes a minha alma sorrir.
alguém que, me é impossível descrever. alguém que me conquistou, alguém que me cativou.
alguém que, em todos os dias, que passam, desde o momento em que surgiste na minha vida, me mostra mais um bocadinho de si. e mais um bocadinho de mim.
alguém que, por vezes me faz pensar, que me conhece melhor que eu mesma. alguém que, para sempre, me terá.
à sua maneira, à sua complexa maneira, vive, não se limitando a existir. alguém que nunca sabe o que sente mas, que ainda assim, em momentos invulgares, me mostra que, eu também permaneço lá.
apenas desejo, que esta partilha, dure para sempre. nada é eterno, mas tu, por seres quem és, és único, diferente, imutável.
como nós nos aceitámos, mesmo sendo tão diferentes? como se explica, toda a compreensão que existe, por muito difícil que esta seja? não se explica. sente-se.
e, isto que vivo contigo, à nossa maneira, é algo que, nunca consigo explicar. nem quero. é esta a essência.
não tens descrição, nem explicação. és tu, apenas.
porque sei, que quando todas as luzes falharem, tu vais estar lá. e que as nossas almas vão sempre aprender e, voar juntas.
por muitas pedras que apareçam no meio das nossas almas, conseguiremos saltar-lhes por cima e aprender, mais um bocadinho, a vivermo-nos.

oh tu..

por: sara

vôos



' (..) E a mãe contou: " Era uma vez.., uma borboleta dourada, muito bonita, que poisou num nenúfar amarelo para se aquecer.
O Sol, que lá do alto continuava a brilhar, olhou a borboleta e pensou: " tontinha, ainda não viu que a flor é amarela mas não tem calor para dar, o lago tira-lho todo para si.. ".
A borboleta, por seu lado, reconhecia que aquele Sol pequenino e amarelo era um bocadinho menos aconchegante que um outro Sol que lhe ia na alma.
Tão absorta estava em seus pensamentos que não reparou numa vizinha rã que ao saltar tudo abanou, desequilibrando-a. E, asinhas molhadas, lá se foi arrastando para uma folha que flutuava por perto.
Foi então que o Sol lhe enviou os seus raios e pediu a uma nuvem que passava que os arrefecesse um pouco, não fossem eles queimar a sua amiguinha borboleta.A nuvem, por seu lado, pediu ao vento que soprasse devagar para ajudar a secar as frágeis asas daquela amiga tão luzente.
Quando já estava seca, a borboleta sentiu que um vento, um pouco forte, a ajudava a voar e reconheceu na sua sorte o amparo da Folha, o calor do Sol, a delicadeza da Nuvem, a energia do Vento.
Agradeceu a todos com um voo tão belo como nunca tinha feito e as suas asas reflectiam as cores de um infinito obrigado. Um obrigado que todo o Universo registou. "

" E acabou a história.. " , disse a mãe.
Mas o filhote
tinha resolvido juntar aos seus sonhos
o calor do Sol, o aconchego da Nuvem
e as cores da Borboleta
para com eles pintar
mais uma parte do seu Caminho,
e adormecera..
Era em noites como aquela
que reconhecia como era bom
ser um duende na cidade. '
in ' uma mensagem na cidade '

existências

Olhares, sorrisos, palavras silenciosas. As incertezas em que nos sentimos quando nem sequer sabemos se alguém conhece a nossa existência. Os momentos em que nos sentimos sós e nos sentamos na nossa alma, a olhar para os nossos pensamentos como se estivessemos numa sala de cinema apenas com um espectador. A nossa vida ali está reflectida, num turbilhão de ideias, que nos fazem perceber que somos incapazes de saber se são ilusões ou verdades. Tanto que desejamos saber, que nos seja dado algum sinal para nos sentirmos seguros, mas esse sinal tarda a chegar. Há momentos em que sabemos que deveríamos viver, sem pensar em consequências mas de repente, caímos no abismo da incerteza, novamente.. Ficando outra vez, na ignorância do saber. Tão complexo que se torna, olharmos para nós, estarmos seguros e termos a certeza que venha o que vier, continuaremos de cabeça erguida, de pé, com a certeza de que ao menos tentámos. Precisamos de nos conhecer. De sabermos viver com o que somos. Mudar o que não gostamos para que daí em diante, nada nem ninguém nos consiga destruir.O céu é o limite para o que podemos fazer. E apesar da dificuldade que enfretamos todos os dias de parar e pensar no que realmente é a nossa vida, de não nos criticarmos pelo que não conseguimos fazer, pelo que deveríamos ter feito, temos de nos superar a nós próprios e a cada dia que passa, nos sentirmos mais gratos pelo que somos e pelo que temos.
por: sara
fotografia por: sara
" Tudo o que somos é resultado de nossos pensamentos. " Buddha

segunda-feira, 14 de julho de 2008

oásis

ao sentares-te a ver o mar, recordas tão bons momentos que viveste. momentos que te deixam com um friozinho no estômago, só de os relembrares. o que não davas tu para os reviver? tão bom que seria, podermos viver tudo de novo. ter de volta aquelas pessoas que voaram do pé de nós. ter de volta aqueles sentimentos que nos faziam sentir como crianças, ingénuas e indefesas que tudo fazem para seguir atrás do seu sonho. pois bem, há que olhar para o horizonte e pensar, que, nada disso volta. apenas a sua recordação, apenas podemos reviver esses momentos na nossa alma e no nosso coração.. mas, quem sabe se melhores momentos não virão? também poderão vir piores, é a realidade mas mesmo assim.. tudo o que vem, vem por alguma razão. cada coisa vem a seu tempo. cada coisa chegará no momento certo sem que estejamos à espera. quanto mais ansiamos por algo, por mais que desejemos que algo acontece, isso não irá acontecer apenas porque queremos muito. uma carência faz-nos criar ilusões, que deixamos de conseguir distinguir se o serão realmente ou se será mesmo um sentimento que está a acontecer. essas ilusões que nos parecem fazer sentir, outra vez, sentimentos daqueles, não são verdadeiras. são apenas "amostras" daquilo que gostariamos de estar a sentir, daquilo que gostariamos de estar a viver. mas como disse à pouco, cada coisa vem a seu tempo. talvez não demore assim tanto tempo, talvez demore muito tempo mas quando chegar, saberemos. sentiremos a essência do verdadeiro sentimento. teremos noção de que estamos a viver e não a sonhar. a pouco e pouco, vamo-nos conhecendo. e ao conhecermo-nos devemos sempre cuidar e mimar o nosso eu. não se trata de nos tranformamos nuns narcisistas mas simplesmente, construirmos o nosso eu, para que nada nem ninguém nos possa roubar o que de mais valioso temos. a nossa vida. isso sim, é importante guardar e proteger. porque as pessoas vão. e vêm. e temos de as deixar seguir o seu caminho, permanecendo no nosso oásis com a certeza de que, não nos arrependemos do que fizemos. assim, o nosso oásis, será sempre o nosso porto de abrigo, nós próprios.

por: sara
fotografia por: sara
" Pensar é o trabalho mais pesado que há. Talvez seja essa a razão para tão poucos se dedicarem a isso. "
Henry Ford

procuramos..

Procuramos..
O procurar está presente,
ainda antes
do momento em que nascemos,
quando procuramos a luz
com a força de quem sabe
que a Luz é objectivo.
Nascemos,
e continuamos a procurar..

Crescemos,
e, nos momentos de desespero,
há sempre algo, há sempre alguém
que nos vem recordar
que o Caminho é a Luz.

e nos ajuda a procurar..

Envelhecemos,
e, mais uma vez, é a luz
que ilumina o recordar.

Morremos,
e então recordamos que sempre sonhávamos
que a Luz nos acompanhava.
Olhamos paras trás, e, lá longe, sentimos
que um fio de Luz,
cada vez mais forte,
cada vez mais belo,
nos acompanhou
ao longo da estrada..

in ' uma mensagem na cidade'
"É preciso grande sabedoria só para perceber a extensão da própria ignorância."
Thomas Sowell

fotografia: sara

labirinto

o sol traz-te os primeiros raios de sol. abre os olhos, mexe as tuas asas. deixa-te sentir a leve brisa do mar, respira e deixa-te navegar pela tua alma. a pouco e pouco, as tuas asas libertam-se e voas, sentido a seda da espuma branca das ondas. sentado no areal, sentes cada grão de areia colar-se ao teu corpo, a rebentação das ondas a molharem a tua alma despida e ingénua. esta cresce e ganha voz dentro de ti. deixaste ver, como num filme em que o único espectador és tu. sentes uma luz a ganhar forma dentro de ti e a prosperar-se, cada vez mais.. a tua alma toma conta de ti e subitamente levitas em ti próprio.tudo deixa de fazer sentido e começas a questionar aquilo em que acreditaste sem sequer te certeficares se teria ou não fundamento.tomas consciência de que muitas das tuas vivências foram exageradamente vividas, que tantas vezes choraste por quem não tinha esse mérito, que tantas vezes desejaste desaparecer por te sentires um cobarde perante os teus próprios sentimentos. mas, nada disso foi em vão. ao mesmo tempo que te apercebes o quão ingénuo foste perante a complexidade da vida, conscientemente, relembras cada momento de mágoa, de solidão, de arrependimento com um sorriso, percebendo que, essa luz que agora te incendeia sempre esteve presente. agora, de olhos mais abertos, conscientemente dizes a ti próprio que tudo aquilo te fez aprender a viver a vida, vivendo-a e não te sentindo limitado a existir. procuras por ti próprio e toda a insegurança que te apavora torna-se numa segurança, de que, mesmo que destruam o castelo que com tanto empenho construiste na areia, conseguirás construir um, com alicerces ainda mais sólidos, fortalecendo o TEU castelo e a pessoa que és. a pouco e pouco, percebes que desistir é um acto de cobardia e que por muitas dúvidas que surgam, terás a capacidade de procurar uma respostam mesmo que esta não exista ou simplesmente esteja camuflada.valoriza a vida que te foi dada, como uma dádiva. quem vive substimado por outrém ou simplesmente limitado a existir, não entende a essência deste presente.cada momento deve ser vivido, em si. pondo de parte qualquer ilusão do futuro ou lembraça do passado. cada momento que vivemos, será eterno pelo que significou para nós. não por durar para sempre, como se fosse um tranquilo mar de rosas. a vida tem as suas dificuldades, os seus espinhos, e é isso que dá motivação para seguir em frente. é enfrentando-as e superando-as que a vida vai ganhando sentido. e, fundamentalmente, ver a vida como ela é, um gigante labirinto. ninguém nos fornece um mapa para a ir vivendo, lentamente, descobriremos caminhos que, nos poderão levar a novas saídas ou simplesmente, permanecer no labirinto mas com força para continuar a nossa busca.assim, voltas a ti mesmo e deixaste levar pelo vento que te faz esvoaçar e, ao deitareste sobre o areal, pensas que talvez valha a pena tudo isto, a que chamam vida.

" O sábio não é o homem que fornece as respostas verdadeiras; é o que formula as perguntas verdadeiras."
Lévi-Strauss

metamorfoses da vida

difícil é encontrar alguém que nos faça sentir diferente. diferente de um modo, em que são dispultados em nós sentimentos e emoções estranhas entrelaçadas de tal modo, que se torna inútil qualquer esforço para as tentar compreender ou explicar. momentos esses, em que nos apercebemos e reconhecemos quais as nossas fragilidades, como se estas tivessem necessidade de se fazerem sentir, para que ao serem compreendidas nos consigam arranjar uma força interior para enfrentar tudo aquilo que por vezes tentamos camuflar. criação inconsciente de ligações, através de pequenos gestos que marcam de tal forma, que ao sentirmo-nos ameaçados ou magoados, tentamos escapar ao sofrimento, inutilmente, pois essa ligação não nos permite a submissão às situações aparentemente complicadas. a ligação camuflada, quase invisivel, que nos prende sem nos apercebermos, deixa-nos frágeis e com necessidade de expôr tudo o que está concentrado dentro de nós. sair à rua, só pelo prazer de nos sentirmos livres. livres, no meio do silêncio. livres de tudo aquilo que nos assombra na vida quotidiana ou simplesmente, livres para conseguirmos estar apenas, connosco mesmos.livres para conseguirmos notar as diferenças entre o nosso pequeno mundo e o enorme mundo em que vivemos, para que consigamos nem que seja por momentos, viver uma ilusão, uma imaginação pura, que nos faz sentir algo mágico e incompreensível, nem que seja por curtos minutos. os momentos mais simples. sem dizer, sem pensar .. apenas, sentir. sentir o vento frio na nossa cara, sentir o silêncio na correria de uma cidade, sentirmo-nos. vivermos as nossas aventuras. mil e uma formas aparentemente facéis para enfrentar essas fraquezas, sendo apenas uma, aquela que conseguimos, por nós próprios, descobrir e pôr em prática. já que é tão difícil depararmo-nos com alguém que, ao mesmo tempo que está ao nosso lado consiga fazer-nos sentir nós próprios, como sendo uma parte gigante de nós, há que tentar crescer e evoluir com os nossos próprios erros, fazer as nossas descobertas e conseguindo, sozinhos, enfrentar todas os precalços da vida de cabeça erguida, com força e coragem pra seguir em frente. ser grande, gigante até, como pessoa, e ser superior a todas as rasteiras e não culpar os outros pelos erros cometidos e fraquezas interiores. assumi-los e seguir em frente, conscientes de que muito mais está para vir e que é preciso (mesmo que a inexistência de um apoio exterior nos afecte) nunca nos perdermos de nós mesmos. porque muitas serão as pessoas que vão passar pela nossa vida.. muitas voam, desiludem, surpreendem, marcam. marcas essas sempre relembradas e notadas em nós. mas quem nos vai acompanhar até ao fim, sempre presente em qualquer momento da vida, somos nós próprios.

por: sara