domingo, 22 de abril de 2012

Não é a vida que te fode.

Não é a vida que te fode. És tu que te injectas com as as mais nocivas drogas. Apertas o garrote e o teu braço apertado vai revelando as veias cheias de sangue, saudável que tu queres estragar. 
Queres penetrar a fina agulha na pele, em cheio na vulnerável presa que te pertence, a tua veia. Sorris e achas que fazes uma grande coisa enquanto empurras o líquido frio e injectas em ti o pior.
- olha para ti, agora. Sentado a chorar por ela. Ela faz de ti o que queres; ela assobia, tu vais. És o cãozinho dela, a sua mascote que não exibe mas usa, curioso hein?
É isso que queres para ti? Uma simples e mera nua e crua rudeza? A dor dessa humilhação e da frustração de lutas sem fim, ilusões reais, visíveis a olho nú. Não precisas de nenhum microscópio nem de uma bata para perceber que o único que está a injectar-se, és tu.
Injectas-te com ela, injectas-te com os teus vícios, injectas-te com a tua preguiça, com o teu egoísmo. Injectas-te de inveja, e deixas-te consumir pela necessidade de mais e mais. O teu corpo, por fora, está melhor que nunca! Uau! Isso sim é estar em forma, e então e, aí dentro, como é que se vai? Assiste-se no teu interior o processo de decomposição semelhante ao de um cadáver; à excepção que os teus órgãos não estão liquefeitos nem cheiras a ranço mas a podridão faz de ti seu refém, e o teu sistema imunitário está no modo off. Foste esperto em baixar todas as guardas mais uma vez, e desligar o botão. Arriscas a primeira, és corajoso, arriscas a segunda, perdes, és fraco, arriscas a terceira, a quarta, a quinta, .., a décima vez e és estúpido.
Arranquei-te a seringa da mão e acredita quando te agarro no queixo, te olho nos olhos e seriamente te digo que essa não é a solução. Com um safanão, mando todo o arsenal que tinhas preparado para esse estúpido ritual e bato-te, não com força, mas com frustração. Frustração de te querer espancar, bater com tanta força, para ver se abrias a cabeça, se aprendias alguma coisa. Desta vez não vai ser assim, não vais andar mais a cambalear sempre pelas mesmas ruas, apagadas e a cheirar a mijo, com ratos a comer restos do saco de lixo que os cães rasgaram.
Lava a cara, aliás, toma banho, esfrega-te, e larga toda essa sujidade. Olha-te ao espelho. Veste a tua roupa preferida. Põe o teu perfume. Penteia-te. Arranja a gola da camisola que está toda desajeitada. Calça as tuas botas gastas e sujas e volta a olhar-te ao espelho. Veste o casaco. Olha-te ao espelho. Sorri, e pensa simplesmente, que aquilo que tu és poucos o são, poucos o serão e muitos o invejam, muitos o desconhecem, muitos o admiram, muitos o protegem mas apenas tu o tens. Cuida de ti, gosta de ti, vive por ti.

Sem comentários: