sexta-feira, 24 de outubro de 2008


Vejo uma sombra, só, abandonada
na solidão d'uma planície deserta,
onde apenas uma miragem
subitamente me vislumbra.

O que é?

Ficará por desvendar.

Vejo-a, sinto-a, na minha alma e sei !
A minha alma não o revelará.
Sei ! Aquela sombra partilha
esta minha modesta.. e inútil sabedoria, comigo.
Da inútil ilusão da alma das almas.
Almas sombrias. Sós. Talvez.
Acompanha-me no ser, na dor de pensar,
no que somos. Ou não somos.

por: sara
fotografia por: sara

terça-feira, 21 de outubro de 2008

cansa-me o eu;
o pensamento,
a descoberta.
esse ar de criança,
traz um sorriso ingénuo.

essa indiferença perante o mundo,
exausta.
vício este, de ver demais;
quando apenas quero ver o essencial.
por: sara

sábado, 11 de outubro de 2008

quem sabe.



A solidão que me apavora, magoa
como o frio cortante da neve
de uma solitária montanha.


O rio que corre aligeira
a sensação dando-me, talvez,
força para continuar.



A luz do pequeno candeeiro a óleo
ilumina esta pequena cabana,
onde estou. Sozinha.
Rodeada de um cheiro intenso,
ao mesmo tempo, suave para a minha alma.
Forte. Perturbador.



Este cheiro que me faz evadir, ouvindo, apenas e
sabendo.. O que me espera lá fora.



Não sinto. Não cheiro. Não oiço.


Liberta-te, deixa-te voar.
Deixa-me voar contigo. Apenas nós,
a sobrevoar um mundo, nosso.
Não existe. Mera utopia.
Talvez no meu coração, duvido.



O teu olhar que me deixa,
a tremer, por dentro, quieta;
Como um campo onde apenas existem varas, verdes.



Sentir-me-ei frágil? Forte, capaz de me levar
pela mais suave brisa.



Sopra neste campo. Amadurece esta planície verde, vivo;
este brilho apagado que deixa, apenas, ver uma distorcida essência.



Quem sabe.

por: sara
fotografia por: sara

barreiras.


deixa-me olhar-te nos teus
profundos olhos castanhos
deixa-me sentir o toque da tua pele contra a minha
deixa-me sonhar. realiza os meus sonhos.
se me tens? não sei, apenas digo que a minha alma, poderás descobrir.

desenho-te a descer uma longa rua,
onde o silêncio cheira a solidão
e as luzes acesas não iluminam a escuridão
a tua sombra, pouco delineada,
dá-me um pouco de ti. quero.


o teu cheiro, a tua voz. navegam no meu pensamento
como barcos à deriva. deixa-me mergulhar.

lágrimas secas, sentimentos contidos.
gritos perdidos num eco profundo.
gestos abandonados pelo medo,
desafiados pela coragem.


toma conta de mim, um espirito de cor
que me faz ver mais além da linha do horizonte
deixa-me saber-te, deixa-me sentir o teu ardor.


o fogo extinto, que reacendeste,
como.. eu não sei. simplesmente fizeste
com que uma ardente vontade
de atravessar barreiras invisiveis
despertasse em mim.


por: sara
fotografia por: sara

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

profundezas.


A profundidade do mundo
que me recheia de incertezas
e me deixa no fundo.

Incertezas abruptas
reflectidas em sombras astutas.

Ninguém sabe o que é amar.
Ninguém além do velho pescador,
que amou, do fundo que amou
aquele ser do seu mar.

Oh.. Que faremos nós aqui?
Naufragados numa praia deserta.
Eu, quero ser o meu porto de abrigo,
no meio de tantos desancorados.

por: sara
fotografia por: sara