sexta-feira, 22 de agosto de 2008

mundo.


o que somos? existirá algo que nos possa descrever, ao nosso ser, à vida que nos foi oferecida?
creio que não.
todos nós temos perspectivas tão diferentes de como encarar este presente. maneiras e atitudes que, por vezes, nos roemos para que tivessemos o poder de evitar que os outros as tomassem.
isso porque tememos magoarmo-nos por dentro, tememos criar um buraco negro no universo que é a nossa alma. mas, é algo que não se evita e, quem não tem os seus pontinhos de dor, lá dentro, não sabe o que é crescer, aprender com o bom e principalmente com o mau da nossa vida.
afinal, o que é um mar sem ondas? uma rosa sem espinhos?simplesmente..
há que saber nadar num mar bravo e pegar numa rosa.
quero sim, beber do cálice da vida. um cálice que para uns, poderá estar vazio, para outros, a transbordar. para mim, estará (apenas) como eu o vir. num dia, parecerá mais cheio, no outro parecerá mais seco.
mas a essência 'daquele' cálice, essa sim, será sempre sentida por quem luta pela sua simples fragrância.
ninguém nos dá um prémio por chegarmos a uma conclusão que parece correcta, ninguém nos aplaudirá apenas porque queremos ver um outro lado da vida.. temos de nos valorizar a nós próprios que o que nos fará bem, não são os aplausos e elogios dos outros mas sim, o cuidado que temos connosco próprios e o valor que a nossa alma tem. isso, isso sim, nos fará sentir uns heróis.

heróis totalmente desconhecidos, heróis invisíveis na imensidão do mundo, heróis que não conseguirão mudar o mundo mas pelo menos, poderão mudar o SEU mundo e ajudar outros a mudar o deles.

por: sara
fotografia por: sara

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

maybe

Porque existe sempre, uma necessidade dentro de nós, que nos faz negar aquilo que nos parece tão claro?
Não conseguimos perceber o que existe lá no fundo e, ainda assim, fazemos questão em seguir caminho, em seguir uma viagem que não sabemos como pode acabar.
Pelo caminho, aparecem-nos diferentes saídas e, somos arrebatados por certezas e incertezas que, ainda distorcem mais a imagem que tentamos ver ser possível no final.
Parece-nos uma paisagem cheia de luz e de vivacidade, repleta de alegria.. Mas no minuto a seguir, olhando-a de outra perspectiva física e psicológica, parece que toda a luz se transformou numa nuvem de cor negra, uma paisagem de luto, um lugar que assusta e que nos multiplica as sensações provocadas por um conflito interior.
No labirinto que é aquele caminho, aquele espaço asfixiante, só queriamos sentir a maresia fresca esfriar-nos a cara, aroma da Natureza ou o toque doce de uma borboleta invadir a nossa alma.
Mas naquele preciso momento apenas conseguimos sentir a respiração dificultada, as vibrações que o nosso corpo produz pelos tremores que o invadem.
Porque não conseguimos apenas, desistir? Seguir pelo caminho mais fácil? Aquele caminho, que por muito escorregadio e perigoso que seja, te provoca um nervoso miudinho e uma vontade de continuar que te parece impossível desistir.. Ao mesmo tempo, esse perigo faz-te recuar sobre o precipicio com medo de não puderes nunca mais, saber o que estava realmente, naquela imagem distorcida.
O teu corpo e a tua alma entram num conflito óbvio de clarezas e opacidades que te incapacitam de tomares uma decisão. Apenas te sentas, só, com o desejo ardente de residir a tua própria imaginação, o teu próprio pensamento.
Não vale a pena adiar, terás de tomar uma decisão, de escolher ou o caminho mais fácil.. O caminho que pode evitar uma queda fatal ou totalmente incapacitante.. Ou o caminho mais difícil que te provoca medo a cada passo que dás mas que ainda assim, te faz sentir que algo no final poderá ser benéfico.
Mas, estas questões com lados tão ambíguos, fazem-nos não ter noção do que realmente somos, do que realmente pensamos e sentimos. Entramos novamente numa nuvem negra que nos faz perder o rumo. Faz-nos cometer erros que muitas vezes se podem vir a mostrar irremediáveis.
Ainda assim, talvez desistir não seja realmente o que queremos.
A Esperança foi a última, a última a morrer, como Pandora acabou por descobrir.
Seguindo o caminho mais difícil, precisas de segurança, precisas de acreditar em ti. Precisas de te agarrar ao teu próprio mundo e não agir em torno do que pode ou não acontecer, do que te rodeia, do que sentes ou do que poderás vir a sentir.. Ou do que alguma vez sentiste.
Calmamente, percorres o complexo e negro caminho, para evitares escorregadelas.. Afinal, se tiveres de descobrir um caminho que te levará a um sítio divino e perfeito, assim o descobrirás. Se afinal, esse caminho te levar a um lugar frio, cinzento, desconsolado pelo desamparo e pela solidão, assim terás de partir rumo a uma nova descoberta.
Agora, apenas te podes recordar dos erros, das mágoas e alegrias do passado. Não podes prever o futuro, não te podes tornar vulnerável e fraco mas também não te tornes num tirano, amargurado, sem qualquer sentimento verdadeiro.
Vive, apenas.

Será que vale a pena desperdiçar as dificuldades que te podem levar a um paraíso sereno e equilibrado?

Será que tomaste a decisão certa, e seguiste o melhor caminho? Será que fugir para o lado fácil e previsível da vida, é de facto, viver?

por: sara
fotografia por: sara ( Tomar )

terça-feira, 12 de agosto de 2008

fly

o frio não me atingiu, o teu calor é que me fugiu. corre, corre para o mar e sente a espuma das tuas ondas, o leve batimento dentro de ti, guiar-te-a para onde fores, para onde te perderes.
..
quero guiar-me, quero-me perder na espuma fria do mar, do viver. mas a suave e deliciosa maresia faz-me querer perder mas faz-me pensar quem, apenas uma onda pode destruir o castelo de areia. e, temos de lutar contra a maré, de nos libertarmos para assim pudermos e deixarmo-nos navegar num mar calmo.. recheado de vida.e uma gaivota a meu lado parou.. o seu olhar dizia-me coisas que não conseguia entender. apenas lhe pedi que me levasse na sua asa, que me ensinasse a voar. ela fez-me perceber que tenho de aprender a voar sozinha, a libertar-me das quedas do passado. e, no horizonte, vi-a a ficar cada vez mais distante, cada vez menos visivel.. a voar por entre os raios de sol que ali permaneciam e que, ali no mar se reflectiam.ali, eu vi a Esperança. a esperança de viver, a esperança de conseguir enfrentar o meu passado, o meu presente, o meu futuro. a esperança de que um dia, voarei como aquela gaivota.


por: sara & jomi (12/02/2008)