Não conseguimos perceber o que existe lá no fundo e, ainda assim, fazemos questão em seguir caminho, em seguir uma viagem que não sabemos como pode acabar.
Pelo caminho, aparecem-nos diferentes saídas e, somos arrebatados por certezas e incertezas que, ainda distorcem mais a imagem que tentamos ver ser possível no final.
Parece-nos uma paisagem cheia de luz e de vivacidade, repleta de alegria.. Mas no minuto a seguir, olhando-a de outra perspectiva física e psicológica, parece que toda a luz se transformou numa nuvem de cor negra, uma paisagem de luto, um lugar que assusta e que nos multiplica as sensações provocadas por um conflito interior.
No labirinto que é aquele caminho, aquele espaço asfixiante, só queriamos sentir a maresia fresca esfriar-nos a cara, aroma da Natureza ou o toque doce de uma borboleta invadir a nossa alma.
Mas naquele preciso momento apenas conseguimos sentir a respiração dificultada, as vibrações que o nosso corpo produz pelos tremores que o invadem.
Porque não conseguimos apenas, desistir? Seguir pelo caminho mais fácil? Aquele caminho, que por muito escorregadio e perigoso que seja, te provoca um nervoso miudinho e uma vontade de continuar que te parece impossível desistir.. Ao mesmo tempo, esse perigo faz-te recuar sobre o precipicio com medo de não puderes nunca mais, saber o que estava realmente, naquela imagem distorcida.
O teu corpo e a tua alma entram num conflito óbvio de clarezas e opacidades que te incapacitam de tomares uma decisão. Apenas te sentas, só, com o desejo ardente de residir a tua própria imaginação, o teu próprio pensamento.
Não vale a pena adiar, terás de tomar uma decisão, de escolher ou o caminho mais fácil.. O caminho que pode evitar uma queda fatal ou totalmente incapacitante.. Ou o caminho mais difícil que te provoca medo a cada passo que dás mas que ainda assim, te faz sentir que algo no final poderá ser benéfico.
Mas, estas questões com lados tão ambíguos, fazem-nos não ter noção do que realmente somos, do que realmente pensamos e sentimos. Entramos novamente numa nuvem negra que nos faz perder o rumo. Faz-nos cometer erros que muitas vezes se podem vir a mostrar irremediáveis.
Ainda assim, talvez desistir não seja realmente o que queremos.
A Esperança foi a última, a última a morrer, como Pandora acabou por descobrir.
Seguindo o caminho mais difícil, precisas de segurança, precisas de acreditar em ti. Precisas de te agarrar ao teu próprio mundo e não agir em torno do que pode ou não acontecer, do que te rodeia, do que sentes ou do que poderás vir a sentir.. Ou do que alguma vez sentiste.
Calmamente, percorres o complexo e negro caminho, para evitares escorregadelas.. Afinal, se tiveres de descobrir um caminho que te levará a um sítio divino e perfeito, assim o descobrirás. Se afinal, esse caminho te levar a um lugar frio, cinzento, desconsolado pelo desamparo e pela solidão, assim terás de partir rumo a uma nova descoberta.
Agora, apenas te podes recordar dos erros, das mágoas e alegrias do passado. Não podes prever o futuro, não te podes tornar vulnerável e fraco mas também não te tornes num tirano, amargurado, sem qualquer sentimento verdadeiro.
Vive, apenas.
Será que vale a pena desperdiçar as dificuldades que te podem levar a um paraíso sereno e equilibrado?
Será que tomaste a decisão certa, e seguiste o melhor caminho? Será que fugir para o lado fácil e previsível da vida, é de facto, viver?
por: sara
fotografia por: sara ( Tomar )
Sem comentários:
Enviar um comentário