¾ quão rídiculo é, deitar-me e as lágrimas caírem como se tivessem vontade própria. Tento mostrar-lhes quem manda e essas putas ignoram todas as ordens que a minha voz já fraca lhes grita. Dói ceder ao poder das lágrimas. É uma espécie de confirmação da dor que queremos negar mas que nos definha e, piora, à noite. Até sucumbir, grito 'salva-me!' a pulmões abertos. Os gritos eram filtrados pela almofada e nada passam senão de silêncio frustrado. A almofada; a âncora que me mantém presa à realidade.
Deixo-me ir e tudo se transforma. Respiro melhor, o ar está mais leve. Os teus olhos olham-me enquanto os dedos teus me encaminham. Ensinaste-me o rumo para os teus lábios e agora não me deixas viajar. Não é justo. E tu sabes disso. Mas repetiu-se, uma e outra vez, no único momento em que a entrega arriscada se deixou mostrar. O beijo mais genuíno. O mais sincero sorriso. A brincadeira inocente. A complexa cumplicidade de dois mundos que colidem e se misturam, deixando-se sentir, de novo, o renascer do que há muito esqueceram.
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