Talvez partilhar um pouco da real história do Punk, deixando de lado os malditos e tristes preconceitos.
(Surge nos anos 70, o movimento revolucionário), Vamos deixar de lado a ideia da sociedade relativamente aos punks, que têm de ser sujos, pobres e que irão morrer na miséria, sozinhos, perdidos na droga e em batalhas perdidas.
Isso não faz sentido.
Antes de pressupôr o que quer que seja, seria interessante, observar, viver o punk, nas ruas. Nas suas origens.
O Punk tem variados ideias, sendo estes; o princípio de autonomia do auto-didacta, que faz ele próprio o que tem de fazer, o interesse (muitas vezes, inconsciente) pela aparência agressiva, a simplicidade e humildade do seu estilo de vista, o sarcasmo niilista e a subversão da cultura. Entre os elementos culturais do punk podemos encontrar coisas que talvez muitos nem imaginem. O estilo musical, a aparência (obviamente) mas no entanto, as artes plásticas, escrita (poesia, por exemplo) e, claro, o comportamento. Este depende claramente da pessoa em sim, que pode ou não seguir os princípios e ideais éticos e políticos característicos do punk.
Podemos ainda referir o facto de existirem variados símbolos, expressões linguísticas e de comunicação entre eles.
O punk, tal como tudo na vida, tem o seu lado bom e o seu lado mau. O lado dos que fazem disto o seu estilo de vida, ou o lado daqueles que 'wow, sou fixe, punk e tal'.
MAS o Punk acredita em valores éticos e morais como anti-machismo, anti-homofobia, anti-fascismo, amor livre, anti-lideranças, liberdade individual, autodidatismo, iconoclastia, e cosmopolismo.
Existem ainda outras "vertentes" do movimento como por exemplo, o straight edge que se se caracteriza como "livres de drogas" não consumindo qualquer substância que altere o seu estado físico e/ou psicológico.
Alguns punks evitam relações com os media, por escola própria, pela sua filosofia, o que torna bastante comum o total desconhecimento público de escritores, de publicações alternativas, de poetas ou artistas plásticos. Cada um cria o seu próprio rumo, podendo promovê-los com palestras, festivais, nem que seja em panfletos distribuidos nas ruas.
Um pequeno aparte, filosófico, sendo a perspectiva de Nietzche relativamente ao niilismo (passivo):
«O niilismo passivo, ou niilismo incompleto, podia ser considerado uma evolução do indivíduo, mas jamais uma transvaloração ou mudança nos valores. Através do anarquismo ou socialismo compreende-se um avanço; porém, os valores demolidos darão lugar para novos valores. É a negação do desperdício da força vital na esperança vã de uma recompensa ou de um sentido para a vida; opondo-se frontalmente a autores socráticos e, obviamente, à moral cristã, nega que a vida deva ser regida por qualquer tipo de padrão moral tendo em vista um mundo superior, pois isso faz com que o homem minta a si próprio, falsifique-se, enquanto vive a vida fixado numa mentira. Assim no niilismo não se promove a criação de qualquer tipo de valores, já que ela é considerada uma atitute negativa.»
Pontos de vista. Ideias.
Pre-conceitos. Julgamentos. Positivos para uns, negativos para outros.
Eu encontro-me no punk.
Olho-os como Pessoas que lutam pelo que acreditam, respeitam o outro e mais importante que tudo, são felizes consigo próprios, revoltados com a sociedade, e tudo isso, honestamente, faz bastante sentido.
Cristas? Incríveis. Cabedal, picos? Preto, e roupa rasgada?
Secalhar dão mais valor à Vida do que aqueles que se derretem em Louis Vitton e Dolces e Gabbanas. O pessoal fica-se pela botinha, e pelo mais simples, reles, bacano (chamem-lhe o que quiserem) possível.
Punk's not dead.
http://www.youtube.com/watch?v=0gLD3-trfBE - The Casualties - We're all we have


1 comentário:
O niilismo é exactamente a destruição de todos os valores vigentes e\ou existentes tanto em utopias quanto em realidades terrenas, pelo que dizer que os Punks são niilistas e depois dizer que "seguem os seus ideais" é incongruente Sarinha. Porque ser niilista é exactamente não ter moral, ideal, motivação, acção, nada. É viver na própria negação de tudo isso e não na pretensa de os alcançar. É um estado de espirito puramente.."espiritual" passo o pleonasmo, porque passar tal coisa pra realidade - se não é impossível - é pelo menos impraticável.
Sérgio.
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