sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

we will rise up against them all.


vida

A vida, pensas sobre o que vês, sobre o que sentes,
De que te vale isso? Prática, fazes?
Terceiras realidades que te permitem chegar a todo o teu mundo,
A tua alma possessa e voadora.
O rancor de quem te magoa, esmagas, superioridade?
És tu que a tens, à tua maneira.
O feitiço, mágico, mesmo que pareça contra ti,
Mais tarde, voltará para te mostrar o quão especial
A tua mente é.
Terceiras realidades que dizem ser prejudiciais à saúde. Cliché.
O teu dia-a-dia, mata-te. Não vives, apenas, existes.
Faz-te herói num mundo de obedientes, defende aquilo em que crês.
Serás herói, nem que seja, na tua anarquia pessoal.
Deixa-os viverem na medíocre vida da obediência. De facto, gostava eu de saber, porque raio
Se deixam afectar por quem é igual mas a quem submetem toda a sua vida?
Eu? Quero viver.
Terceiras realidades, voo nelas.
Vocês? Busquem o tal de quinto império que nem sabem o que é.
Eu? Cultivarei a minha alma de voos e essências que me elevam e me fazem suportar a vida que tenho de viver nesta sociedade, aqui neste mundo.
Queres saber? Tenho o meu mundo. Onde tu, não entras.
Não entendes.
Demasiado simples e total para ti.
Palavras inúteis estas que digo.
Enfim. Vou viver. Volto mais tarde.


por: sara


Vôo, solitário,

Numa laranja nuvem.

Cor minha, sítio eterno,

Labirinto onde só eu me perco.

Onde ninguém entra.

Teias que não se desfazem,

Que sejam possíveis de descobrir.

Que sabes tu de teias enlaçadas,

Carregadas de rabiscos,

Traços apagados pelo tempo,

Que se mantém pela dor.

É isto que mantenho,

O meu mundo,

Onde nem tu, nem ninguém tem

Poder.

por: sara


O som que escorre pelas paredes,

Profundo que nos deixa flutuar

Por entre os remoinhos do fumo de um cigarro

Que arde nos lábios gretados,

Pelas palavras dolorosas da vida.

Deixo-me cair num leito,

Elevo-me numa realidade ilusória

E perco-me.

Sei que um olhar me encontrará.

Alma gelada, corpo imóvel;

Abandonarei as estalactites do meu ser

Percorrendo caminhos enlameados

Perdidos numa floresta, verde,

Onde apenas uma companhia
Platónica me fará encontrar rumo.


por: sara

Encontrou-a naquele local secreto, só, onde o sol reflectia no virgem lago esquecido.
O seu sorriso, cativou-o. O olhar ingénuo e tentador de sábio que se esconde na pele, na máscara de criança frágil.
Soube que ali, encontrara jóia rara.
Chegou-se mais, para junto dela, e perguntou em tom meigo se podia partilhar a magia daquele lugar consigo. O sorriso brilhante, apareceu. Gesticulando afirmou que o partilharia, seduzindo-o num olhar profundo que o enrolou em desejo súbito.
Uma pequena conversa surgiu. Banal, é facto.
A aproximação surgiu, tal como uma cinzenta nuvem que os fez crer que chuva forte iria nascer, que teriam de procurar abrigo.
Ouviu a sua voz com a atenção com que ouviu, em criança, o búzio que o seu pai lhe trouxera de uma das suas velhas viagens marítimas.

por: sara
Desenho-te no ar,
Sujo, pesado, negro.
A tua falta absorve o que deixa viver o mundo
Exageradamente, olho.
As cores que delimitam o teu corpo,
Deixam-me fraca, frágil;
Vejo o contraste da cor do olhar
Com a cor da dor, do ardor,
Que não me deixa sobrevoar
Contigo. Deliciar.
Porque não me amas?
não me sentes?
Porque não somos um voo, plano, estável
Vivo e colorido.
A nossa maneira.
Quero contigo sentir
O assobiar do vento
Por entre os raios do sol,
Recordar passado
Como velha chávena poeirenta
Com pequenas falhas num velho armário
.

por: sara